Apresentação
Histórico

A CRUZ VERMELHA BRASILEIRA ensaiou seus primeiros passos no ano de 1907, graças à ação do Dr. Joaquim de Oliveira Botelho, espírito culto e cheio de iniciativas que, inspirando-se naquilo que testemunhara em outros países, sentiu-se animado do desejo de ver também aqui fundada e funcionando, uma Sociedade de Cruz Vermelha.

Pedindo o concurso de seus colegas de profissão e de outras pessoas gradas, a 17 de outubro daquele ano, em uma reunião da Sociedade de Medicina do Rio de Janeiro, conseguiu que fossem lançadas as bases da organização da CRUZ VERMELHA BRASILEIRA e marcada uma reunião para a aclamação de sua Diretoria Provisória, o que se realizou sob os melhores auspícios, em 31 de dezembro de 1907.

Esse ato foi precedido de uma Conferência proferida pelo Dr. Oliveira Botelho que historiou a CRUZ VERMELHA, estudando seu alto papel no seio das Sociedades civilizadas e salientando os esforços de outros concidadãos para o mesmo fim.
A Diretoria Provisória, então aclamada, ficou assim constituída:

  • Presidente: Dr. Oswaldo Cruz
  • 1º Vice-Presidente: Gen. Thaumaturgo de Azevedo
  • 2º Vice-Presidente: Almte. Alves da Camara
  • Secretário Geral: Dr. Oliveira Botelho
  • Secretários:  Dr.JaimeSilvado
                             Dr. Salles Filho
                             Dra. Antonieta Morpurgo
  • Tesoureiro: Monsenhor Amador Bueno

Esta Diretoria provisória, mediante um trabalho meticuloso, inclusive com a consulta a ilustres personalidades brasileiras da época, elaborou o projeto dos Estatutos da Sociedade.

Em memorável reunião realizada no Salão da Sociedade de Geografia do Rio de Janeiro no dia 5 de dezembro de 1908, foram discutidos e aprovados aqueles Estatutos, bem como procederam-se às eleições do Conselho Diretor e da Diretoria. A data ficou consagrada como a de fundação da CRUZ VERMELHA BRASILEIRA.

Na nova Diretoria, como Presidente, 1º Vice-Presidente e Secretário Geral, figuravam os grandes batalhadores da fase inicial, Thaumaturgo de Azevedo, Alves da Camara e Oliveira Botelho. O General Thaumaturgo de Azevedo, 2º Presidente da Entidade, manter-se-ia no cargo por 10 anos consecutivos.

O registro e o reconhecimento da entidade nos âmbitos nacional e internacional se deu nos anos de 1911 e 1912, sendo que a I Grande Guerra (1914/1918) constitui-se, desde seus primórdios, no fator decisivo para o grande impulso que teria a novel Sociedade.

As “Damas da CRUZ VERMELHA BRASILEIRA", comitê criado por um grupo de senhoras da sociedade carioca, deu origem à Seção Feminina, que teria como primeira tarefa, a formação do corpo de Enfermeiras Voluntárias.

Um dos Vice-Presidentes, o então Cel. Médico Dr.Antonio Ferreira do Amaral, foi designado para presidir a Comissão de Ensino Prático, destinada a formar aquelas e Enfermeiras, iniciando as primeiras atividades em outubro de 1914.

A semente assim plantada frutificaria e, para permitir o funcionamento de outros cursos sugeridos pela Seção Feminina, foi criada e inaugurada, em março de 1916, a Escola Pratica de Enfermagem, sob a eficiente direção do Dr. Getúlio dos Santos, na época Capitão Medico do Exército.

Com a declaração de guerra do Brasil aos Impérios Centrais (Alemanha e seus aliados), a Sociedade expandir-se-ia com intensificação dos Cursos de Enfermagem e com a criação de filiais estaduais e municipais, cabendo a São Paulo a primazia. Em 1919, as filiais já eram em número de 16.

Grandes e inestimáveis serviços prestou a CRUZ VERMELHA no final da Guerra, nos seus inúmeros contatos com a Agência Internacional de Prisioneiros de Guerra, no sentido de propiciar informações aos europeus residentes no Brasil, em relação a seus familiares cujos paradeiros haviam se tornado desconhecidos em virtude das contingências de guerra.

Durante o ano de 1918 e, imediatamente após, a CRUZ VERMELHA BRASILEIRA demonstrou, de maneira cabal, o alcance de sua atuação durante a calamitosa epidemia de gripe que assolou o mundo no após-guerra. A Escola de Enfermagem no Rio foi transformada em isolamento e as enfermeiras da Entidade se desdobraram nos diversos hospitais no Rio, nas residências e nos Postos de Socorro então estabelecidos e em algumas das filiais. Nesta batalha tombaria a primeira vitima, a aluna-enfermeira Cherubina Angélica Guimarães que, após participar dos trabalhos iniciais, contraiu a doença, vindo a falecer em conseqüência.

Uma grande preocupação, desde a fundação até essa fase, foi a referente às instalações destinadas ao funcionamento das diversas atividades da Sociedade, particularmente no Rio de Janeiro. As aulas teóricas da Escola de Enfermagem eram ministradas em dependências de outras entidades, como por exemplo, a Sociedade de Geografia do Rio de Janeiro. As aulas práticas aproveitavam-se de instalações hospitalares da cidade.

Uma das primeiras medidas tomadas pelos fundadores da Sociedade, ainda em 1911, foi a elaboração de um requerimento ao Congresso Nacional solicitando a doação de um terreno. Embora já tivesse sido selecionado e já algumas atividades pudessem nele ser exercida, somente em junho de 1916 se concretizaria a doação solicitada, com a lavratura da respectiva escritura.

De imediato foi construído um pavilhão que seria inaugurado em maio de 1917, onde funcionaria, em caráter provisório, a Escola de Enfermagem e o Órgão Central da Entidade.

Em 1919, deu-se início à construção do prédio definitivo, ate hoje em funcionamento e no qual, em junho de 1924, começaram a funcionar algumas atividades.

Além da construção da sede, o período entre as guerras caracterizou-se por um sem número de atividades, não apenas no Brasil, mas também no exterior.

O esclarecimento de toda a população visando à prevenção de uma série de pertinazes doenças que minavam o povo brasileiro e o atendimento aos já atingidos por essas doenças, foi uma atividade permanente.

A tuberculose e as doenças venéreas foram as primeiras de extensa relação que constitui preocupação constante não só do Órgão Central, como também das filiais, sempre procurando ir de encontro aos problemas e às necessidades regionais.

A calamidade pública, sob todas as formas, encontraria sempre nas primeiras linhas de seu atendimento, elementos da CRUZ VERMELHA. Secas, enchentes e inundações, catástrofes e epidemias, onde quer que se fizesse necessária a mão amiga do auxílio, do carinho e do conforto, Lá estavam as incansáveis enfermeiras e socorristas, os desprendidos voluntários e o dedicado desvelo da CRUZ VERMELHA BRASILEIRA.

Com grande evento de repercussão internacional, registra-se a realização, no Rio de Janeiro, em setembro de 1935, da III Conferência Pan-americana da CRUZ VERMELHA.

Com a presença das representações da então Liga das Sociedades de CRUZ VERMELHA – hoje Federação Internacional da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho - e do Comitê Internacional da Cruz Vermelha e de mais 18 países das Américas, constitui-se o plenário da Conferência. Mais 18 países e 17 associações internacionais enviaram delegações que participaram a título consultivo.

As autoridades brasileiras deram todo o seu apoio ao conclave, inclusive o então Presidente da República, Getúlio Vargas, que presidiu as sessões solenes de abertura e de encerramento no Teatro Municipal. Foram tomadas resoluções de magna importância para a entidade.

Convém consignar a grande homenagem prestada a Ana Nery, com a aprovação da proposta e o lançamento da pedra fundamental de um monumento a esta grande figura feminina de nossa História, a ser construído na praça fronteira à sede do Órgão Central. Na oportunidade, a praça, já batizada pelo povo, passaria a ser oficialmente denominada Praça Cruz Vermelha.

Uma passagem de grande teor emocional, durante a realização da Conferência, foi o abraço trocado pelos Delegados da Bolívia e do Paraguai que, por proposta do delegado de Costa Rica, selariam desta maneira e de publico, a paz negociada pouco antes pelos seus países, pondo fim à sangrenta Guerra do Chaco.

A II Grande Guerra (1939/1945), a semelhança do que ocorrera na Primeira, iria dar novo impulso às atividades da CRUZ VERMELHA. Novamente a busca de paradeiro de parentes dos estrangeiros residentes no Brasil constituiu uma importante incumbência. Basta citar que, até meados de 1946, as mensagens recebidas atingiram a impressionante cifra de 72.527.

Com o envio da Força Expedicionária Brasileira-FEB para o Teatro de Operações, outros aspectos predominariam e assumiriam papel mais relevante. A coleta, o preparo e o envio de uma enorme quantidade de toda sorte de correspondência e donativos para os beligerantes brasileiros e para as vítimas da guerra em todo mundo, foi um trabalho intenso que prosseguiu mesmo após o termino do conflito.
O ponto alto porem, foi a participação das Enfermeiras, das Samaritanas e das Socorristas Voluntárias da CRUZ VERMELHA BRASILEIRA na constituição dos quadros de nossas forças expedicionárias, como oficiais Enfermeiras do Exercito e da Aeronáutica. Usemos a palavra de uma delas, a Major Enfermeira Elza Cansanção Medeiros que, em uma das crônicas de seu livro "Nas Barbas do Tedesco" assim se expressa: "afirmo que minhas companheiras, de um modo geral, nada deixaram a desejar, em sua atuação profissional, junto às enfermeiras americanas. Sendo quase totalidade do contingente feminino composto de Samaritanas e Voluntárias Socorristas, pois apenas 8 eram Enfermeiras Profissionais e 1 Parteira, ombreavam satisfatoriamente com as enfermeiras profissionais norte-americanas, a grande maioria delas com mais de três anos de Serviço no Teatro de Operações. O Brasil e o povo brasileiro deve, portanto, se orgulhar de suas Enfermeiras, que não trepidaram ao trocar o conforto de seus lares, pelo futuro desconhecido e perigoso de um campo de batalha, sem outro interesse que o de servir aos seus semelhantes, mitigando-lhes as dores e consolando-os com uma palavra de carinho nas horas mais difíceis".

Foto da Major Elza Cansação participando de Seminário da Cruz Vermelha Brasileira em 2004

Além da sagrada tarefa das Oficiais Enfermeiras que, integrando nossas Forças Armadas, atuaram diretamente no Teatro de Operações, na Itália, cumpre ressaltar o papel da CRUZ VERMELHA preparando outras turmas de Enfermeiras, Samaritanas e Voluntárias Socorristas e contribuindo de várias maneiras, como vimos acima, no atendimento aos “febianos”, merecendo por isso mesmo as seguintes palavras do então General Mascarenhas de Morais, o inesquecível Comandante de nossa gloriosa FEB, constantes de carta escrita em plena campanha ao Presidente da CRUZ VERMELHA BRASILEIRA: "Dentre as instituições que mais se destacaram, no Brasil, pela assistência que tem procurado dar aos soldados expedicionários, está a CRUZ VERMELHA BRASILEIRA, de que V.Exa. é digno Presidente".

De novo em paz o mundo, a entidade não pararia. Novas iniciativas e novas diretrizes permitiriam outras atividades e atribuiriam ênfase especial a alguns setores. A criação, por parte dos órgãos governamentais de entidades filantrópicas com fins parcialmente análogos aos da CRUZ VERMELHA reduziram os recursos oficiais com que contava a entidade, no entanto, de modo algum, arrefeceu o ânimo de seus incansáveis colaboradores. Eram entidades que se completavam e que puderam muito bem viver juntas em prol da solução dos cruciantes problemas do país continente em que vivemos.

Em 1969, a Entidade sofria uma intervenção Federal:

“O PRESIDENTE DA REPÚBLICA, usando da atribuição que lhe confere o parágrafo 1º do artigo 2º do Ato Institucional nº 5, de 13 de dezembro de 1968,

DECRETA:
Art 1º É decretada a intervenção federal no Órgão Central da Cruz Vermelha Brasileira, até a elaboração dos novos estatutos sociais e a eleição de novos órgãos dirigentes.
Parágrafo único. Os estatutos da Cruz Vermelha Brasileira e as alterações que neles se fizerem só começarão a vigorar depois de aprovados por decreto do Presidente da República.
Art 2º O interventor será designado pelo Ministro de Estado da Saúde e terá os mesmos poderes e atribuições que os estatutos sociais conferem à Diretoria.
Art 3º Este Decreto-lei entrará em vigor na data de sua publicação, revogadas as disposições em contrário.
Brasília, 21 de janeiro de 1969; 148º da Independência e 81º da República.
A. COSTA E SILVA
Luís Antônio da Gama e Silva
Leonel Miranda
Augusto Hamann Rademaker Grünewald
Aurelio de Lyra Tavares
José de Magalhães Pinto
Marcio de Souza e Mello
Affonso de A. Lima “
 

Em 21 de outubro de 1969 foi aprovado o estatuto da Entidade, que foi posteriormente alterado pelo Decreto nº 68.250, de 16 de fevereiro de 1971, ocasião em que cessou a intervenção federal na Entidade:

“Art 44. A Diretoria Nacional será empossada dez dias após a publicação, no Diário Oficial, da nomeação pelo Presidente da República, do primeiro Presidente e Vice-Presidente da Cruz Vermelha Brasileira, quando então, de acordo com o art. 1º e seu parágrafo único, do Decreto-lei número 426, de 21 de janeiro de 1969, cessará o regime de Intervenção Federal na Sociedade, ficando implicitamente revogada e sem efeito toda e qualquer decisão tomada pelas Assembléias Gerais, Conselhos Diretores e Diretorias, do órgão Central e das Filiais, anteriores a Intervenção Federal, que esteja em desacordo com o presente Estatuto, e, automaticamente aprovados os atos praticados pelo Interventor Federal.

Parágrafo único. Nos triênios seqüentes, a Diretoria Nacional será empossada dez dias após a publicação, no Diário Oficial, da homologação pelo Presidente da República da eleição do Presidente e Vice-Presidente da Cruz Vermelha Brasileira.”
A partir dos anos 70, a Cruz Vermelha Brasileira, intensificou o processo de abertura de Filiais e o trabalho voltado para a educação e saúde. O Hospital mantido na sede do Rio de Janeiro foi fechado em 1979 por não mais atender aos objetivos da Entidade.

XI Conferência Interamericana da Cruz Vermelha

De 3 a 8 de junho de 1979, a Cruz Vermelha Brasileira sediou e organizou a XI Conferência Interamericana da Cruz Vermelha, cujo objetivo era promover uma maior integração entre as Sociedades Nacionais do Continente Americano. Participaram da Conferência todos os países do continente americano, representantes da Liga de Sociedades de Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho (hoje Federação) e como observadores: WHO, UNICEF, OAS, e representantes das Sociedades Nacionais Européias.

Em 1981, a então Diretoria Nacional conseguiu o benefício da Lei nº 6.905, de 11 de maio daquele ano, que destina à Cruz Vermelha Brasileira a renda líquida de Concursos de Prognósticos Esportivos.

Ainda nos anos 80, a Entidade previa, entre seus objetivos, uma maior integração entre suas Filiais, impulsionando os seus desenvolvimentos em função das realidades de seus Estados e Município.

I Encontro de Representantes de Departamento de Juventude da Cruz Vermelha Brasileira

Visando organizar o Departamento de Juventude nas Filiais que não o possuem e dinamizar os já existentes, a Cruz Vermelha Brasileira organizou de 13 a 17 de outubro de 1980, em sua sede nacional, o 1º Encontro de Representantes de Departamento de Juventude. Foram traçadas diretrizes, padronizações e programas para o Departamento de todas as Filiais. Participaram do encontro representantes das Filiais dos Estados de Goiás, Paraná, Rio Grande do Sul, Bahia, Ceará, Alagoas, Pernambuco, São Paulo e Maranhão.

Operação Nordeste

Em 1983, a Cruz Vermelha Brasileira iniciou uma campanha “Faça Chover no Nordeste” destinada à obtenção de alimentos ou fundos para aquisição e envio àquela Região.

Com a crescente veiculação, nos meios de comunicação internacionais, principalmente na Europa, do agravamento da crise na região afetada pela seca, a então Liga de Sociedades de Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho mostrou interesse em ajudar a Cruz Vermelha Brasileira no trabalho que esta já vinha desenvolvendo na área. A Liga de Sociedades de Cruz Vermelha enviou ao Brasil Delegados, que percorreram a Região Nordeste durante um mês: Emb. Gerhard Dohms, da Cruz Vermelha Alemã, Woard Spiegelman, da Cruz Vermelha Americana e Sven Aschberg, um nutricionista da Cruz Vermelha Sueca, além do Chefe do Departamento de Socorros da Liga, Jürg Vittani.

A “Operação Nordeste” no ano de 1984 atendeu com 181.668 cestas básicas 20.634 famílias em quatro Estados, beneficiando 128.215 pessoas durante sete meses, minorando o sofrimento das vítimas da seca naquela região. Foram injetados naquela oportunidade 4.074.788,00 Francos Suíços doados pelas Sociedades Nacionais de Cruz Vermelha através da Federação Internacional de Sociedades de Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho. Em todas as calamidades acontecidas no país, sempre esteve presente apoiando a Defesa Civil.

II Encontro das Sociedades de Cruz Vermelha de Língua Portuguesa

Reuniram-se na cidade de Teresópolis, Rio de Janeiro, de 3 a 6 de agosto de 1984 a sete Sociedade Nacionais de Cruz Vermelha dos países de língua portuguesa: Brasil, Angola, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal e São Tomé e Príncipe.

Deste encontro surgiram as seguintes recomendações: pedido de apoio técnico da Liga para os próximos encontros; o envio de delegados da Liga falando português e conhecedor das peculiaridades regionais de cada país.
Participaram do encontro representantes da então Liga e do CICV.

Concerto da Orquestra Filarmônica Mundial em prol da Cruz Vermelha Brasileira – 1986

A Orquestra Filarmônica Mundial era um conceito novo e original que se reunia uma vez por ano em cada continente, com diferentes músicos e diferentes maestros, com o objetivo de arrecadar fundos para grandes entidades beneficentes.

Os músicos que a formaram naquele ano tocaram juntos apenas uma vez e eram originários de dezenas de países. Todos, inclusive o maestro, tocaram gratuitamente e doaram os direitos de reprodução à Cruz Vermelha Brasileira.

O Concerto foi realizado no dia 16 de dezembro de 1986 no Teatro Municipal do Rio de Janeiro, sob a regência do renomado Maestro Lorin Maazel. O programa inclui, entre outras, “Carnaval Romano”, de Berlioz, “Pássaro Romano” de Stravinsky , o “Choros nº 6” de Villa-Lobos, em homenagem ao centenário de seu nascimento.

Ouça o Concerto da Orquestra Filarmônica Mundial.

VI Assembléia Geral da Liga de Sociedade de Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho e Reunião do Conselho de Delegados

Teve lugar no Brasil, de 16 a 28 de novembro de 1987 a VI Assembléia Geral da então Liga de Sociedades, que contou com a participação de 600 Delegados, observadores e acompanhantes de representantes de 145 Sociedades Nacionais de Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho (até então), ocorrida no Copacabana Palace, no Rio.

Era a primeira vez que essas reuniões se realizaram no Brasil, sendo que poucas vezes elas foram feitas fora da cidade de Genebra. As assembléias Gerais e as reuniões do Conselho de Delegados, órgãos deliberativos máximos do Movimento Internacional de Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho, são realizadas concomitantemente de dois em dois anos. Sua organização demandou longo período preparatório que foi desde a extensa agenda de trabalhos até o embasamento físico e operacional para a realização das reuniões plenárias e das comissões, do serviço de secretaria e toda a parte de apoio, envolvendo além disso, hospedagem das delegações, contratação dos salões de convenção, equipamentos de tradução simultânea, intérpretes, tradutores (das quatro línguas oficiais: inglês, francês, espanhol e árabe), sistema de comunicação de nível internacional, equipamentos operacionais e todos mínimos e múltiplos detalhes e facilidades a que os participantes estavam habituados.

O então Presidente da República, Exmo. Sr. José Sarney, abriu a Sessão Solene Oficial dos Trabalhos, no Teatro Municipal.

VI Reunião de Presidentes e Seminários Técnicos da Sub-Região II da América

Entre os dias 13 e 15 de junho de 1989, a Cruz Vermelha Brasileira reuniu os Presidentes das Sociedades Nacionais da América do Sul para avaliar e comparar o desempenho dos programas de atividades das Sociedades Nacionais da América do Sul, que se realizada a cada dois anos, alternadamente sediada em cada um dos países Sul-Americanos.

A reunião contou com a presença do Presidente da Liga de Sociedades de Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho, representantes da Cruz Vermelha Espanhola, Presidente do CORI, além de autoridades do Governo brasileiro.

SOS Chuvas de Verão

A Cruz Vermelha Brasileira lançou campanhas de ajuda aos milhares de desabrigados pelas chuvas que castigaram os Estados da Bahia, Minas Gerais e Maranhão, em 1989.

A Cruz Vermelha e os Brasileiros no Iraque – Guerra do Golfo

A Cruz Vermelha Brasileira colaborou com o Governo brasileiro com relação à concessão de vistos de saída para nossos compatriotas que se encontravam no Iraque no início das hostilidades. De imediato solicitou a colaboração do Crescente Vermelho Iraquiano e de todas as Sociedades de Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho da região, como as da Jordânia, Arábia Saudita, Iran, Turquia, para que a saída dos brasileiros fosse efetuada por uma dessas fronteiras.

Operação Ararajuba:

Em janeiro de 1990, a Cruz Vermelha Brasileira realizou uma campanha nacional denominada “SOS Chuvas de Verão” objetivando assistir a população desabrigada pelas enchentes, principalmente nos Estado de Minas e Bahia.

Um Grupo Especial de Socorros da Cruz Vermelha Brasileira, composto de nove membros, seguiu para a cidade de Itapebi – Estado da Bahia – localizada a 800 km de salvador, levando leite, roupas e calçados para distribuição a 358 famílias vítimas das inundações na região. Além da assistência às vítimas, o Grupo constatou as precárias condições de higiene da população.

No regresso ao Rio de Janeiro, baseando nessa experiência, o Grupo Especial de Socorros, em conjunto com o Departamento de Juventude da Cruz Vermelha Brasileira, planejou a Operação Nacional Ararajuba, cujo objetivo era proporcionar melhores condições de vida às comunidades atendidas, através de cursos e palestras sobre atenção primária de saúde.

O nome da Operação era uma homenagem a um pássaro só encontrado no Brasil – a Ararajuba – (do Maranhão ao Pará e que está ameaçado de extinção), por suas cores iguais às da bandeira brasileira.

Cada equipe da Operação Ararajuba era formada por sete universitários voluntários oriundos de diferentes áreas profissionais que buscavam com a colaboração da comunidade, soluções práticas para os problemas sociais. Em 1994, a Operação contou com o apoio da Petrobrás.

Crise dos anos 90

Em 1992, a Cruz Vermelha Brasileira começa a viver uma grave crise institucional, que durou dez anos, com graves conseqüências para a Entidade.

Durante nove anos a Cruz Vermelha Brasileira sofreu as conseqüências desta crise interna, tendo com a paralisação de suas atividades, perda de credibilidade e acumulação de enorme déficit orçamentário. Somente em novembro de 2001, com a eleição de uma Diretoria apoiada pelas Filiais e Órgãos Superiores do Movimento Internacional, Comitê e Federação, foi possível pacificar e reunificar a Cruz Vermelha Brasileira. A posse dos novos Diretores e a renovação do Conselho Diretor Nacional iniciou um profícuo trabalho de soerguimento da Entidade.

Hoje, três anos passados, pode-se avaliar de forma positiva o trabalho realizado para o Fortalecimento Institucional da Cruz Vermelha Brasileira e conseqüente recuperação da sua imagem e credibilidade junto à comunidade nacional e internacional. Graças ao apoio do Comitê e da Federação (Consubstanciado no Acordo Tripartite assinado em 2003) e sociedades irmãs, foi possível realizar seminários e cursos para formação de quadros diretivos nas áreas de Socorros, Juventude e voluntariado que se refletiu na integração das Filiais Estaduais e Municipais com o Órgão Central.

Após 26 anos, em janeiro de 2004, aprovou-se o novo Estatuto da Cruz Vermelha Brasileira, cuja elaboração demandou um ano de trabalho e várias reuniões, com presença atuante das Filiais e de membros do Conselho Diretor Nacional, permitindo um documento consensual, caracterizado pela descentralização do poder, permitindo de forma efetiva a participação das Filiais nos órgãos coligados: Assembléia Geral Nacional e Conselho Diretor Nacional. Na vida da Entidade, ao mesmo tempo reformulou-se a estrutura administrativa do Órgão Central, com a reativação dos seus departamentos objetivada para uma política de integração nacional. No cenário internacional a Cruz Vermelha Brasileira voltou a participar de reuniões, cursos e conferências das quais havia se afastado nos últimos anos, assim como a publicação do Informativo da Cruz Vermelha Brasileira, que transmite suas atividades aos públicos interno e externo da Entidade, complementado pela página WEB em fase de reestruturação.

Para coroar esta fase de mudanças se fazia necessário a implantação de um Plano Estratégico que permitisse um trabalho uniforme da Cruz Vermelha Brasileira em todo território Nacional. Este plano já aprovado terá duração de 3 anos, iniciados no ano de 2005 corrente. O desenvolvimento do Plano tem como base não só a leitura de documentos disponíveis no Órgão Central, como também a realização de quatro Seminários com membros da instituição, a capacitação da equipe do Órgão Central em Processo de Planejamento em Projetos e a análise de questionários respondidos por representantes das Filiais Estaduais, do Órgão Central e de alguns colaboradores. Seu objetivo principal é a incorporação progressiva das Filiais, até que a Cruz Vermelha Brasileira possa se apresentar com atividades de caráter nacional. Todo o trabalho até agora realizado se refletiu no reconhecimento não só na área governamental, mas da comunidade como um todo, comprovado pela receptividade demonstrada quando da campanha de ajuda as vítimas do maremoto na Ásia, contribuindo com a expressiva soma de 705.000 dólares encaminhados a Federação Internacional de Cruz Vermelha, responsável pela atividade do Movimento na área atingida.

 
 
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